Poema a tua demanda
Busco deleite e aconchego na mansidão do teu beijo.
Quero beijar tua impaciência que teima não teima em me deixar.
Se sinto ou não vejo, buscas em mim auto-apreço.
Menina-mulher em construção, confesso e reconheço - és bom e te amo.
Abre-te a mim que palavras não têm sustento.
Amar-te não é segredo.
Cala-te e meu seio brasa te mostra o quanto.
Apenas pensa e me nina, que sou tua menina e não teu canto.
Respira fundo e sedento a evanescência de cada olhar que te lanço, que são teus e dizem tudo.
Sou teu papel em branco.
Risca-me ao léu, como a caminho do gozo sabido e imprevisto.
Ou com intento, como quando tocas a aureóla ao meu comando.
Se sinto e te vejo, nada digo mas te beijo.
Se não beijo e não te sinto, te desejo.
E me cobras teu preço.
Palavras não são minha virtude. Nem secas, nem molhadas.
O que não ouves e o que sentes terás sempre de mim.
Desmedidamente.
Quero, enfim, beijar tua extravagância.
Assistir a tua fúria.
Rasgar minha elegância.
Saciar tua imprudência.
E não antes que a última porta se feche, farta,
discernir a minha essência.
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